15 de julho de 2014

Foto: "Experimentem, ao menos uma vez - em todo lado devem conseguir avistar uma árvore ou pelo menos um bom pedaço de céu. Não tem de ser um céu azul, a luz do sol arranja sempre qualquer outra maneira de se fazer sentir. Habituem-se a olhar o céu durante uns instantes todas as manhãs e de súbito passarão a sentir o ar em vosso redor, a brisa da frescura matinal que vos é oferecida (...). Dediquem alguma atenção a esses pormenores e verão como o resto do dia decorrerá de um modo aprazível, depois desses momentos de comunhão com a natureza. Pouco a pouco e sem grande esforço, o olho aprende por si mesmo a fornecer diversos pequenos estímulos, aplica-se na contemplação da natureza, das ruas, a apreender a inesgotável comicidade das nossas pequenas vidas. Daí até se ter um olho artisticamente treinado está já meio caminho andado, o mais importante é o início, é começar por abrir os olhos.
Um pedaço de céu, um muro de jardim de onde pendem ramos verdes, um cavalo de aspecto garboso, um cão bonito, um grupo de crianças, a cabeça de uma mulher formosa - não vamos privar-nos de contemplar tudo isso. Quem já deu o primeiro passo poderá ao longo dessa estrada apreciar coisas maravilhosas sem perder um minuto que seja do seu tempo. Esta contemplação não provoca qualquer fadiga, pelo contrário, fortalece e refresca, e não apenas os olhos. Todas as coisas possuem uma faceta digna de se ver, até as mais desinteressantes e feias; para tanto, basta querer ver.
E, com a visão, vem a alegria, o amor, a poesia."

Hermann Hesse, 'Da Felicidade'   

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© Anna Niemiec
"Experimentem, ao menos uma vez - em todo lado devem conseguir avistar uma árvore ou pelo menos um bom pedaço de céu. Não tem de ser um céu azul, a luz do sol arranja sempre qualquer outra maneira de se fazer sentir. Habituem-se a olhar o céu durante uns instantes todas as manhãs e de súbito passarão a sentir o ar em vosso redor, a brisa da frescura matinal que vos é oferecida (...). Dediquem alguma atenção a esses pormenores e verão como o resto do dia decorrerá de um modo aprazível, depois desses momentos de comunhão com a natureza. Pouco a pouco e sem grande esforço, o olho aprende por si mesmo a fornecer diversos pequenos estímulos, aplica-se na contemplação da natureza, das ruas, a apreender a inesgotável comicidade das nossas pequenas vidas. Daí até se ter um olho artisticamente treinado está já meio caminho andado, o mais importante é o início, é começar por abrir os olhos.
Um pedaço de céu, um muro de jardim de onde pendem ramos verdes, um cavalo de aspecto garboso, um cão bonito, um grupo de crianças, a cabeça de uma mulher formosa - não vamos privar-nos de contemplar tudo isso. Quem já deu o primeiro passo poderá ao longo dessa estrada apreciar coisas maravilhosas sem perder um minuto que seja do seu tempo. Esta contemplação não provoca qualquer fadiga, pelo contrário, fortalece e refresca, e não apenas os olhos. Todas as coisas possuem uma faceta digna de se ver, até as mais desinteressantes e feias; para tanto, basta querer ver.



E, com a visão, vem a alegria, o amor, a poesia."


 
 
Hermann Hesse, 'Da Felicidade'