7 de março de 2015

Abismo
Preciso sair de mim,
despir-me das vestes que me cobrem de frio.
Preciso deixar o copo vazio,
ver a vela queimar até o fim.
Preciso sair de mim
sem olhar para trás,
para a tarde de alecrim que se desfaz,
contar até três.
Não sei se vale o sacrifício.
Não sei morrer.
Começo outra vez.


- Flora Figueiredo, no livro “Limão rosa”