7 de agosto de 2014

"Certas manhãs surgem branquinhas,
com a brisa balançando cortinas,
e o calor inquietando os corpos.

Certas manhãs são presentes, são brindes,
são tão naturais que instigam instintos extintos,
e dão vontade de caminhar em colinas, apreciar flores,
ouvir gaiteiros tocando, se embrenhar em matas.

Certas manhãs já nascem com o cheiro do café no ar,
com toalhas de mesa xadrez e cuscuz de milho.

Certas manhãs nascem prontas, completas,
em si mesmas repletas de sinais, de signos escondidos,
de recados sussurrados nos ouvidos.

Certas manhãs dão na gente vontade de mudar.
Mudar tudo, mudar nossa vida, mudar o rumo, quiçá o mundo..."
 

(Matilda Penna)