5 de fevereiro de 2014




Deve chamar-se tristeza 
Isto que não sei que seja 
Que me inquieta sem surpresa, 
Saudade que não deseja. 

Sim, tristeza — mas aquela 
Que nasce de conhecer 
Que ao longe está uma estrela 
E ao perto está não a ter. 

Seja o que for, é o que tenho. 
Tudo mais é tudo só. 
E eu deixo ir o pó que apanho 
De entre as mãos ricas de pó. 

 

  Deve Chamar-se Tristeza,
Fernando Pessoa