15 de maio de 2013

O mundo não vale o mundo, meu bem.
Eu plantei um pé-de-sono,
brotaram vinte roseiras.
Se me cortei nelas todas
e se todas se tingiram
de um vago sangue jorrado
ao capricho dos espinhos,
não foi culpa de ninguém.
O mundo, meu bem, não vale
a pena, e a face serena
vale a face torturada.
Há muito aprendi a rir, de quê? de mim? ou de nada?

- Carlos Drummond de Andrade, in Cantiga de Enganar, Claro Enigma, 1951 (Fotobiografia CDA, Edições Alumbramentos, 1998).

Imagem/fonte: Acervo Drummond/IMS.
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*** Visite Drummond no Blog:
CDA - Um poeta de alma e ofício (vida e obra): http://www.elfikurten.com.br/2011/11/carlos-drummond-de-andrade.html
Entrevista inédita: http://www.elfikurten.com.br/2012/07/carlos-drummond-de-andrade-entrevista.html
Aforismos: http://www.elfikurten.com.br/2012/10/carlos-drummond-de-andrade-o-avesso-das.html
O mundo não vale o mundo, meu bem.
Eu plantei um pé-de-sono,
brotaram vinte roseiras.
Se me cortei nelas todas
e se todas se tingiram
de um vago sangue jorrado
ao capricho dos espinhos,
não foi culpa de ninguém.
O mundo, meu bem, não vale
a pena, e a face serena
vale a face torturada.
Há muito aprendi a rir, de quê? de mim? ou de nada?

- Carlos Drummond de Andrade, in Cantiga de Enganar