24 de março de 2013



"Desta vez deixa-me ser feliz,
nada passou a ninguém,
não estou em parte alguma,
acontece somente que sou feliz
pelos quatro lados do coração, andando
dormindo ou escrevendo.
O que vou fazer-te, sou feliz.
Sou mais inumerável que o pasto nas pradarias,
sinto a pele como uma árvore rugosa
e a água abaixo, os pássaros acima, o mar como um anel
em minha cintura, feita de pão e pedra a terra
o ar canta como um violão.


Tu ao meu lado na areia, és areia,
tu cantas e és canto, o mundo
é hoje minha alma, canto e areia,
o mundo é hoje tua boca,
deixa-me em tua boca e na areia
ser feliz, ser feliz porque sim, porque respiro
e porque tu respiras, ser feliz porque toco
teu joelho e é como se tocasse
a pele azul do céu e seu frescor.


Hoje deixa-me a mim só ser feliz,
com todos ou sem todos,
ser feliz com o pasto e a areia,
ser feliz com o ar e a terra,
ser feliz, contigo, com tua boca,
ser feliz."
 
 
Ode ao Dia Feliz
Pablo Neruda