22 de fevereiro de 2013

Foto: Talvez 

Pablo Neruda

Talvez não ser, 
é ser sem que tu sejas, 
sem que vás cortando 
o meio dia com uma 
flor azul, 
sem que caminhes mais tarde 
pela névoa e pelos tijolos, 
sem essa luz que levas na mão 
que, talvez, outros não verão dourada, 
que talvez ninguém 
soube que crescia 
como a origem vermelha da rosa, 
sem que sejas, enfim, 
sem que viesses brusca, incitante 
conhecer a minha vida, 
rajada de roseira, 
trigo do vento, 


E desde então, sou porque tu és 
E desde então és 
sou e somos... 
E por amor 
Serei... Serás...Seremos...

Talvez não ser,
é ser sem que tu sejas,
sem que vás cortando
o meio dia com uma
flor azul,
sem que caminhes mais tarde
pela névoa e pelos tijolos,
sem essa luz que levas na mão
que, talvez, outros não verão dourada,
que talvez ninguém
soube que crescia
como a origem vermelha da rosa,
sem que sejas, enfim,
sem que viesses brusca, incitante
conhecer a minha vida,
rajada de roseira,
trigo do vento,


E desde então, sou porque tu és
E desde então és
sou e somos...
E por amor
Serei... Serás...Seremos...
 
 
 
 
Talvez

Pablo Neruda