23 de agosto de 2012


Deve ser alguma tendência ao masoquismo, sei lá. Eu tenho uma mania de observar todo mundo, desde o olhar até a forma como a boca se mexe, as mãos, o jeito de caminhar, cumprimentar. Enfim, detalhes.
Sempre me prendi a eles e deixava a minha cabeça viajante demais vagar por aquelas observações adquiridas nos meus golpes de olhar, discretos ou não.

Ocupada em olhar, mal falava. Engraçado é o fato de que eu não ficava me questionando exatamente sobre o que fazia aquela pessoa sorrir, qual era a felicidade dela, se ela tinha pessoas que amava ou não, se ela se aceitava ou não. Eu sempre busquei os vestígios de tristeza, medo, cansaço, traumas. A parte escura, confesso. O que tira o sonos delas? O que as faz recuar? O que as ameaça? Quais palavras elas temem escutar e quais despedidas elas querem esquecer? Qual o trauma que fortaleceu aquele sorriso? Qual foi o amor ou amigo que não foi tudo isso? Quantos sonhos o mundo passou por cima? Afinal, qual é o ponto fraco daquela criatura?

A maioria das pessoas é muito mais interessante quando se descobre o fio da meada de alguma história escondida. Entendiantes são os felizes 24h por dia, e me perdoem, mas não chegam a atiçar minha curiosidade.
(…)


 Camila Costa