24 de abril de 2015

 
 "A esperança tem asas. Faz a alma voar.
Canta a melodia mesmo sem saber a letra.
E nunca desiste. Nunca."

Emily Dickinson

23 de abril de 2015


"A memória guardará o que valer a pena. A memória sabe de mim mais que eu; e ela não perde o que merece ser salvo."


Eduardo Galeano
"A gente faz as malas, vai pra estrada, mas tem medo de prosseguir.
Medo do recomeço, de deixar pra trás as bagagens e seguir só com o necessário.
Começar de novo assusta, não é?
 
E tudo o que vivemos e construímos foi em vão?
E o tempo perdido, e o que não alcançamos foi frustração?
Esse nosso costume de não valorizar a experiência, o hoje, o presente, o instante.
Tudo tem seu valor, tudo lhe fortaleceu, edificou.
Só não precisa ser eternamente seu pra que tenha valido a pena, pra que tenha propósito.
Algumas vezes deixar ir, ou você mesmo partir, é a mais
valiosa forma de continuar crescendo, de achar em você tesouros escondidos que precisam de novas jornadas pra serem descobertos."

 
Rachel Carvalho

15 de abril de 2015



" Que importa restarem cinzas
se a chama foi bela e alta? "
  
Mario Quintana

14 de abril de 2015

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..Na verdade, somos uma só alma, tu e eu.
Nos mostramos e nos escondemos tu em mim, eu em ti.
Eis aqui o sentido profundo de minha relação contigo, porque não existe, entre tu e eu, nem eu, nem tu.'


( Rumi )

13 de abril de 2015



Eu não sei se sou uma pessoa triste com vocação pra ser alegre, ou vice e versa, ou do avesso. O que sei é que, sim, há sempre alguma tristeza nos meus momentos mais felizes, da mesma forma que há sempre um pouco de alegria nos meus piores dias.
 
 
Mario Benedetti
OS NINGUÉNS (por Eduardo Galeano, em memória e gratidão!)
Foto de um usuário.
“As pulgas sonham em comprar um cão como sonham os Ninguéns em fugir da pobreza... E que algum dia, por magia, dos céus chovam cântaros de sorte, que a sorte os bafeje, mas como a sorte não lhes sorriu ontem, não lhes sorri hoje nem nunca na vida lhes sorrirá e jamais uma gota de sorte lhes será enviada dos céus, por mais que os Ninguéns a clamem, por mais que se cortem na mão esquerda, se ergam do chão com o pé direito ou comecem o ano a trocar de vassoura, os Ninguéns serão sempre filhos do incógnito e donos do nada.
Os Ninguéns, os nenhuns, negados por todos, correndo como coelhos, morrendo ao longo da vida, serão eternamente anônimos, chulados, fodidos, re-fodidos e mal pagos, fugindo constantemente da vida que lhes é caucionada...
Aqueles que não são alguém, mesmo que o sejam...
Aqueles que não falam idiomas, mas dialectos...
Aqueles que não professam religiões, mas superstições...
Aqueles que não fazem arte, mas artesanato...
Aqueles que não são seres humanos, mas recursos humanos...
Aqueles que não têm cultura, mas folclore...
Aqueles que não têm rosto, mas braços...
Aqueles que não têm nome, mas são um número...

Aqueles de quem não reza a história universal, mas aparecem nos roda-pés dos jornais são os Ninguéns, que valem menos do que a bala que os mata e se suicidam... a eles, com eles e para eles...
Aos mais pobres, aos mais fodidos, àqueles que ninguém quer ver... aos que não contam... aos discriminados... aos explorados... aos privados dos seus direitos... aos ignorados... aos excluídos... aos que clamam por justiça e sonham com a dignidade... aos que gritam 'BASTA'...
Aos que morrem de fome... aos que padecem dos abusos...
A eles, com eles e para eles”

Eduardo Galeano


"Tudo o que vive é pulsação do sagrado. As aves do céu, os lírios dos campos... Até o mais insignificante grilo, no seu cricri rítmico, é uma música do Grande Mistério.
É preciso esquecer os nomes de Deus que as religiões inventaram para encontrá-lo sem nome no assombro da vida."
 

- Rubem Alves
 
"Senti os meus pulmões inflados com a investida do cenário - ar, montanhas, árvores, pessoas. Eu pensei: "Isto é o que é ser feliz."

Sylvia Plath
 
"Toda a aproximação é um conflito. O outro é sempre o obstáculo para quem procura. Só quem não procura é feliz; porque só quem não busca encontra, visto que quem não procura já tem, e já ter, seja o que for, é ser feliz."


Fernando Pessoa


“O que eu adoro em ti,
Não é a tua beleza.
A beleza, é em nós que ela existe.
A beleza é um conceito.
E a beleza é triste.
Não é triste em si,
Mas pelo que há nela de fragilidade e de incerteza.
O que eu adoro em ti,
Não é a tua inteligência.
Não é o teu espírito sutil,
Tão ágil, tão luminoso,
– Ave solta no céu matinal da montanha.
Nem é a tua ciência
Do coração dos homens e das coisas.

O que eu adoro em ti,
Não é a tua graça musical,
Sucessiva e renovada a cada momento,
Graça aérea como o teu próprio pensamento.
Graça que perturba e que satisfaz.

O que eu adoro em ti,
Não é a mãe que já perdi.
Não é a irmã que já perdi.
E meu pai.

O que eu adoro em tua natureza,
Não é o profundo instinto maternal
Em teu flanco aberto como uma ferida.
Nem a tua pureza. Nem a tua impureza.
O que eu adoro em ti – lastima-me e consola-me!
O que eu adoro em ti, é a vida”



Madrigal Melancólico- Manoel Bandeira, in: Poesia Completa e Prosa

11 de abril de 2015

 
“Cheirava a sol na janela, como cheirava a sombra fresca no corredor. Cheirava à mobília de madeira, à lenha na lareira apagada, à pele dos sofás, aos sapatos sujos debaixo da mesa e á roupa tombada pelo chão. Cheirava a réstias de incenso, a maçãs maduras no cesto da cozinha. Cheirava a memórias…”
 

- João Morgado

2 de abril de 2015

 
"Eu quero ser sempre aquilo com quem simpatizo,
Eu torno-me sempre, mais tarde ou mais cedo,
Aquilo com quem simpatizo, seja uma pedra ou uma ânsia,
Seja uma flor ou uma idéia abstrata,
Seja uma multidão ou um modo de compreender Deus.
E eu simpatizo com tudo, vivo de tudo em tudo.
São-me simpáticos os homens superiores porque são superiores,
E são-me simpáticos os homens inferiores porque são superiores também,
Porque ser inferior é diferente de ser superior,
E por isso é uma superioridade a certos momentos de visão.
Simpatizo com alguns homens pelas suas qualidades de caráter,
E simpatizo com outros pela sua falta dessas qualidades,
E com outros ainda simpatizo por simpatizar com eles,
E há momentos absolutamente orgânicos em que esses são todos os homens.
Sim, como sou rei
como sou rei absoluto na minha simpatia,
Basta que ela exista para que tenha razão de ser."


Fernando Pessoa

31 de março de 2015

""Nietzsche é o filósofo que mais amo. Dizia ele só amar os livros escritos com sangue. Seus textos são escritos com sangue, sangue sob a forma de palavras. Bem que ele poderia dizer: “Hoc est corpus meum“, isso é o meu corpo. Por isso eu o leio antropofagicamente. É impossível lê-lo e continuar o mesmo. Suas palavras não são para a cabeça; são para as entranhas. Eu o sinto circulando no meu corpo. E eu sei que isso é assim porque ao lê-lo me ponho a sorrir, sou possuído pela alegria, viro criança. O que está muito de acordo com as suas intenções. "
Rubem Alves."
"Nietzsche é o filósofo que mais amo. Dizia ele só amar os livros escritos com sangue. Seus textos são escritos com sangue, sangue sob a forma de palavras. Bem que ele poderia dizer: “Hoc est corpus meum“, isso é o meu corpo. Por isso eu o leio antropofagicamente. É impossível lê-lo e continuar o mesmo. Suas palavras não são para a cabeça; são para as entranhas. Eu o sinto circulando no meu corpo. E eu sei que isso é assim porque ao lê-lo me ponho a sorrir, sou possuído pela alegria, viro criança. O que está muito de acordo com as suas intenções. "
 

Rubem Alves.

29 de março de 2015

 
em mim
eu vejo o outro
e outro
e outro
enfim dezenas
trens passando
vagões cheios de gente
centenas
o outro
que há em mim
é você
você
e você

assim como
eu estou em você
eu estou nele
em nós
e só quando
estamos em nós
estamos em paz
mesmo que estejamos a sós


 

Paulo Leminski in 'Contranarciso'

22 de março de 2015


É bom quando nossa consciência sofre grandes ferimentos, pois isso a torna mais sensível a cada estímulo. Penso que devemos ler apenas livros que nos ferem, que nos afligem. Se o livro que estamos lendo não nos desperta como um soco no crânio, por que perder tempo lendo-o? Para que ele nos torne felizes, como você diz? Oh Deus, nós seríamos felizes do mesmo modo se esses livros não existissem. Livros que nos fazem felizes poderíamos escrever nós mesmos num piscar de olhos. Precisamos de livros que nos atinjam como a mais dolorosa desventura, que nos assolem profundamente – como a morte de alguém que amávamos mais do que a nós mesmos –, que nos façam sentir que fomos banidos para o ermo, para longe de qualquer presença humana – como um suicídio. Um livro deve ser um machado para o mar congelado que há dentro de nós.
 
Franz Kafka

9 de março de 2015

"Sei agora como nasceu a alegria, 
como nasce o vento entre barcos de papel, 
como nasce a água ou o amor 
quando a juventude não é uma lágrima.

É primeiro só um rumor de espuma 
à roda do corpo que desperta, 
sílaba espessa, beijo acumulado, 
amanhecer de pássaros no sangue.

É subitamente um grito, 
um grito apertado nos dentes, 
galope de cavalos num horizonte 
onde o mar é diurno e sem palavras.

Falei de tudo quanto amei. 
De coisas que te dou 
para que tu as ames comigo: 
a juventude, o vento e as areias.

 (Eugénio de Andrade)

***"
Sei agora como nasceu a alegria,
como nasce o vento entre barcos de papel,
como nasce a água ou o amor
quando a juventude não é uma lágrima.
É primeiro só um rumor de espuma
à roda do corpo que desperta,
sílaba espessa, beijo acumulado,
amanhecer de pássaros no sangue.
É subitamente um grito,
um grito apertado nos dentes,
galope de cavalos num horizonte
onde o mar é diurno e sem palavras.
Falei de tudo quanto amei.
De coisas que te dou
para que tu as ames comigo:
a juventude, o vento e as areias.


(Eugénio de Andrade)

7 de março de 2015

 
O Presente não Existe
Não é extraordinário pensar que dos três tempos em que dividimos o tempo - o passado, o presente e o futuro -, o mais difícil, o mais inapreensível, seja o presente? O presente é tão incompreensível como o ponto, pois, se o imaginarmos em extensão, não existe; temos que imaginar que o presente aparente viria a ser um pouco o passado e um pouco o futuro. Ou seja, sentimos a passagem do tempo. Quando me refiro à passagem do tempo, falo de uma coisa que todos nós sentimos. Se falo do presente, pelo contrário, estarei falando de uma entidade abstracta. O presente não é um dado imediato da consciência.
Sentimo-nos deslizar pelo tempo, isto é, podemos pensar que passamos do futuro para o passado, ou do passado para o futuro, mas não há um momento em que possamos dizer ao tempo: «Detém-te! És tão belo...!», como dizia Goethe. O presente não se detém. Não poderíamos imaginar um presente puro; seria nulo. O presente contém sempre uma partícula de passado e uma partícula de futuro, e parece que isso é necessário ao tempo.


Jorge Luís Borges, in 'Ensaio: O Tempo'
Abismo
Preciso sair de mim,
despir-me das vestes que me cobrem de frio.
Preciso deixar o copo vazio,
ver a vela queimar até o fim.
Preciso sair de mim
sem olhar para trás,
para a tarde de alecrim que se desfaz,
contar até três.
Não sei se vale o sacrifício.
Não sei morrer.
Começo outra vez.


- Flora Figueiredo, no livro “Limão rosa”

23 de fevereiro de 2015



“É preciso não esquecer nada: nem a torneira aberta nem o fogo aceso, nem o sorriso para os infelizes, nem a oração de cada instante. É preciso não esquecer de ver a nova borboleta nem o céu de sempre. O que é preciso é esquecer o nosso rosto, o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso. O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos, a ideia de recompensa e de glória. O que é preciso é ser como se já não fôssemos, vigiados pelos próprios olhos severos conosco, pois o resto não nos pertence.”


— Cecília Meireles.