30 de agosto de 2014

 
(...) nunca há testemunhas. há desatentos. curiosos, muitos.
quem reconhece o drama, quando se precipita, sem máscara?
se morro de amor, todos o ignoram e negam.
o próprio amor se desconhece e maltrata.
o próprio amor se esconde, ao jeito dos bichos caçados;
não está certo de ser amor, há tanto lavou a memória
das impurezas de barro e folha em que repousava.
e resta, perdida no ar, para que melhor se conserve,
uma particular tristeza, a imprimir seu selo nas nuvens.

 

___ Carlos Drummond de Andrade