26 de julho de 2014

são muitas, seguramente, as coisas
que ainda querem ser cantadas por mim:
tudo o que mudo ressoa,
o que no escuro subterrâneo afia a pedra,
o que irrompe através da fumaça.
... ainda não ajustei contas com a chama,
nem com o vento e nem com a água...
é por isso que a minha sonolência
abre-me, de par em par, os portões
que levam à estrela da manhã.

 
anna akhmátova