10 de abril de 2014

Foto: Carlos Drummond de Andrade - Acordar, viver

"Como acordar sem sofrimento? 
Recomeçar sem horror? 
O sono transportou-me 
àquele reino onde não existe vida 
e eu quedo inerte sem paixão.

Como repetir, dia seguinte após dia seguinte, 
a fábula inconclusa, 
suportar a semelhança das coisas ásperas 
de amanhã com as coisas ásperas de hoje?

Como proteger-me das feridas 
que rasga em mim o acontecimento, 
qualquer acontecimento 
que lembra a Terra e sua púrpura 
demente? 
E mais aquela ferida que me inflijo 
a cada hora, algoz 
do inocente que não sou?

Ninguém responde, a vida é pétrea."

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"Como acordar sem sofrimento?
Recomeçar sem horror?
O sono transportou-me
àquele reino onde não existe vida
e eu quedo inerte sem paixão.

Como repetir, dia seguinte após dia seguinte,
a fábula inconclusa,
suportar a semelhança das coisas ásperas
de amanhã com as coisas ásperas de hoje?

Como proteger-me das feridas
que rasga em mim o acontecimento,
qualquer acontecimento
que lembra a Terra e sua púrpura
demente?
E mais aquela ferida que me inflijo
a cada hora, algoz
do inocente que não sou?

Ninguém responde, a vida é pétrea."



Carlos Drummond de Andrade - Acordar, viver