25 de setembro de 2011


Despedidas

Começo a olhar as coisas
como que, se despedindo, se surpreeende
com a singularidade
que cada coisa tem
de ser e estar

Um beija-flor no entardecer desta montanha
a meio metro de mim, tão íntimo,
essas flores às quatro horas da tarde, tão cúmplices,
a umidade da grama na sola dos pés, as estrelas
daqui a pouco, que intimidade tenho com as estrelas
quanto mais habito a noite!

Nada mais é gratuito, tudo é ritual.
Começo a amar as coisas
com o desprendimento que só tem
os que amando tudo o que perderam
já não mentem.

Affonso Romano de Sant'Anna