7 de agosto de 2011

Desencanto
 
Eu faço versos como quem chora
De desalento, de desencanto
Fecha meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto
Meu verso é sangue,volúpia ardente
Tristeza esparsa, remorso vão
Dói-me nas veias, amargo e quente
Cai,gota a gota do coração
E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre
Deixando um acre sabor na boca
-Eu faço versos como quem morre


Manuel Bandeira